02/02/2026
O crescimento de uma empresa costuma ser comemorado quando o faturamento aumenta, novos contratos surgem e a operação se torna mais robusta. No entanto, é justamente nesse momento que muitos empresários percebem que a estrutura jurídica do negócio não acompanhou a velocidade da expansão.
É comum, na prática, que empresas de médio porte cheguem a um ponto em que decisões estratégicas passam a depender de informações que não estão organizadas: contratos antigos que ninguém sabe exatamente onde estão, combinações societárias feitas “no aperto”, prestadores de serviço que atuam como empregados e questões regulatórias que ficaram para depois. Esses detalhes, muitas vezes invisíveis no dia a dia, representam riscos relevantes para o crescimento do negócio.
Sem uma análise técnica e documental da estrutura da empresa, passivos importantes permanecem ocultos. Nesse contexto, a due diligence deixa de ser um instrumento restrito a grandes operações de fusão e aquisição e passa a ser uma ferramenta essencial para organizar, proteger e preparar pequenas e médias empresas para crescer com segurança.
O que é a due diligence e como ela funciona na prática
A due diligence consiste em um processo de análise detalhada da situação jurídica, societária, trabalhista, fiscal, contratual e financeira da empresa. Seu objetivo é identificar riscos, inconsistências, passivos e fragilidades que possam comprometer a operação, o patrimônio dos sócios e a continuidade do negócio.
A partir da due diligence, é possível compreender onde estão os principais riscos, o que precisa ser regularizado, quais ajustes são necessários e como estruturar o crescimento de forma mais segura e previsível.
Quando a due diligence se torna indispensável
Ao contrário do que muitos empresários imaginam, a due diligence não serve apenas para a venda de empresas. Ela se torna indispensável em situações comuns da rotina empresarial, como entrada ou saída de sócios, reorganização societária, busca por investidores, expansão da operação, formalização de parcerias estratégicas, crescimento acelerado ou planejamento de longo prazo.
Empresas que crescem sem realizar uma due diligence jurídica acumulam riscos silenciosos, que costumam se manifestar justamente nos momentos mais sensíveis: uma fiscalização, um conflito entre sócios, uma ação trabalhista inesperada ou uma negociação estratégica que não avança por falta de segurança jurídica.
Riscos mais frequentes em empresas de médio porte
Entre os problemas mais recorrentes identificados em pequenas e médias empresas estão as fragilidades societárias. Contratos sociais desatualizados, ausência de acordo de sócios, distribuição informal de quotas e conflitos familiares mal resolvidos são situações frequentes e que, quando não tratadas, comprometem decisões estratégicas e a própria governança do negócio.
Também são comuns os passivos trabalhistas ocultos, especialmente quando prestadores de serviço atuam como empregados, não há registros formais, existem pagamentos informais ou acúmulo de funções sem documentação adequada. Nesses casos, o risco financeiro recai diretamente sobre a empresa e, muitas vezes, sobre o patrimônio dos sócios.
Além disso, contratos frágeis ou inexistentes com clientes estratégicos e fornecedores, bem como a ausência de proteção da marca e da propriedade intelectual, enfraquecem a segurança jurídica da operação. Pendências regulatórias, como falta de alvarás, licenças vencidas ou multas administrativas, também representam riscos que podem comprometer a continuidade do negócio.
Due diligence como instrumento de organização e proteção
A função da due diligence não é inviabilizar a empresa, mas organizar e corrigir. Os riscos identificados podem ser tratados por meio de reorganização societária, regularização trabalhista, revisão contratual, estruturação de governança e adequação regulatória. Quando esses ajustes são feitos de forma preventiva, a empresa passa a operar com mais segurança, previsibilidade e estabilidade.
Para pequenas e médias empresas, a due diligence não deve ser encarada como um custo, mas como um investimento na longevidade do negócio. Ela permite identificar antecipadamente riscos que, se ignorados, podem comprometer a operação, gerar prejuízos financeiros relevantes e afetar diretamente o patrimônio dos sócios.
Os riscos identificados por meio da due diligence podem ser juridicamente tratados e corrigidos, evitando passivos trabalhistas, contingências fiscais, conflitos societários e prejuízos decorrentes de contratos mal estruturados, além de fortalecer a governança e a segurança das decisões empresariais.
Na BGL Advogados, auxiliamos empresários a mapear riscos, organizar suas estruturas e preparar suas empresas para decisões relevantes, sempre com foco em segurança jurídica, previsibilidade e crescimento sustentável.l.
Escrito por: Thallys F. Lopo Galvão.